quinta-feira, abril 25, 2013

Documentário da semana: Doméstica

Esta semana tem sido de loucos. Estou quase sem tempo nenhum para escrever aqui no blog. Tenho visto muito filmes e estou a aproveitar o máximo destas duas semanas do Indie Lisboa. Mas apesar da escassez do tempo, queria falar-vos sobre o filme que mais gostei até agora do festival, um filme brasileiro: Domésticas. Queria falar deste filme enquanto estiver fresco na minha mente, para poder-vos transmitir tudo o que achei do filme. Tenho algumas críticas a fazer se bem que não chega a ser críticas, apenas algumas observações e penso que muitos irão concordar comigo. Soube através da produtora, durante a apresentação, que o filme vai estrear a 1 de Maio (dia dos trabalhadores) nos cinemas do Brasil, então fica a dica (para o pessoal do Brasil) para conferirem este belo filme/documentário.

Apesar de ter mais ou menos uma ideia, que o Brasil tinha muitos trabalhadores como empregadas domesticas eu não sabia que 15 % das empregas domésticas do mundo são do Brasil, uma percentagem bastante representativa. E não percebo como que estes trabalhadores têm menos direitos que outro trabalhador qualquer, sendo em um número bastante expressivo. Mas deixando esta parte da lei de lado, vou começar a falar do filme.

Bem como todos já devem saber ou vão a ficar a saber, o filme trata-se de um documentário sobre as empregadas domésticas. O projecto trata-se de filmar o dia-a-dia de sete empregadas domésticas sob a direcção dos adolescentes/crianças que moram no seio familiar. Achei a ideia bastante gira, pois são os adolescentes a filmar os momentos mais íntimos das suas empregadas domésticas, se fosse o realizador as filmagens não seriam as mesmas, pois o desconforto perante às camaras seria maior. São sete histórias no qual somos conduzidos a conhecer a intimidades delas e simultaneamente o núcleo familiar e a relação patrão-empregado. E foi interessante conhecer histórias destas pessoas que lavam, passam, cozinham mas as vezes nem nos dignamos de saber mais sobre elas. 

Ficou bem claro, pelo menos a mim trespassou esta ideia, que algumas destas domésticas não sentiam à vontade no núcleo familiar por mais que as patroas quisessem passar uma ideia contrária perante as camaras. Uma observação que tenho a fazer, mas penso que o director não teve muita responsabilidade sobre este aspecto, é que os adolescentes muitas vezes perderam-se no rumo das histórias e esqueceram que eles e os pais deles, não eram o centro e o alvo do documentário e faltou um pouco de ver as perspectivas das empregadas. Foi um pouco falso da parte das patroas, quererem passar a ideia que elas consideravam as empregadas como família, pois dava para notar, principalmente no caso da Helena, que as coisas não eram assim tão cor-de-rosa. Não sei se foi a timidez perante as câmaras mas deu-me a sensação que ela sentia um pouco enclausurada. Das sete histórias, os que eu mais gostei foram das domésticas Dilma, Gracinha e da Flávia, pois elas se abriram perante nós, deu-nos oportunidade de conhece-las e estiveram muita à vontade (o que faltou nos outros). Uns mostraram pouco delas e outras mais do que devia, principalmente no caso da Gracinha, ela foi muita espontânea e credível, ri muito com ela. Outro aspecto que foi interessante é a parte do empregado doméstico Sérgio Oliveira, pois contradiz o estereótipo que temos, que a profissão de domésticas é somente para as mulheres. E também gostei muito da história da Flávia que era empregada doméstica de outra emprega doméstica. 


Doméstica fez-me rir e emocionar ao conhecer histórias destas pessoas que abdicam da sua própria família para cuidar da família dos outros e não são reconhecidas pelo seu trabalho. Deixo-vos então a recomendação de ver este belo documentário e deixar-vos questionar sobre o quanto conhecem estas pessoas que partilham o mesmo tecto e limpam o vosso lar. 

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